sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

RESUMO SOCIOLOGIA 3º MÉDIO (1º Trim)


Aula 1.  O que é poder?



  • Texto-base: “O que é poder”, Gerard Lebrun, São Paulo, Abril cultural, 1984.



  • Conceitos prévios:

o   Potência – Possibilidade imediata de ação.

o   Força – Canalização da potência, é a sua determinação.



  • Definições de poder:
    • Max Weber – Oportunidade de impor sua vontade, dominação, sistema de ordem e obediência.
    • Talcott Parsons – Ter poder é ter autoridade reconhecida pelo grupo, baseia-se no consenso.
Segundo Lebrun, há um falso consenso, pois a submissão civil não implica na aceitação da autoridade. A certeza de impunidade mostra como é frágil o respeito pela autoridade.



  • Considerações sobre o poder:

o   Quando se fala em obediência política, a coerção está sempre presente.

o   O poder é uma mercadoria rara, só o possuímos as custas dos outros.

o   Nenhuma organização política funciona sem dominação.

o   O grande problema político está em determinar e adequar a dominação aos valores.

 “O poder não é um ser com existência própria, é o nome atribuído a um conjunto de relações que existem em todo corpo social.” (Michel Foucault)



  • Segundo Lebrun, como é possível a resignação dos homens aos excessos de poder? Talvez por um sentimento popular de exclusão natural do poder, ou seja, são eles que dominam e nós não temos força para mudar isso, pois é uma relação natural.



  • “O poder é uma fatalidade inevitável, ser cidadão equivale a ser obediente, estar em um verdadeiro adestramento.” (David Hume)



  • Segundo Lebrun, a resignação ao poder não faz parte da natureza humana, é uma construção cultural elaborada pelos detentores do poder para justifica-lo.



Aula 2. Poder e autoridade.



  • Autoridade: direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, tomar decisões, agir.

  •  Tipos de autoridade:



    • Autoridade jurídica – Imposta por obrigação aos subordinados, podem ser dividida em: autoridade formal (normas de uma estrutura) e autoridade operativa (procedimentos internos).
    • Autoridade moral – Surgida naturalmente da reconhecida superioridade de um indivíduo, pode ser dividida em: autoridade técnica (conhecimentos específicos) e autoridade pessoal (valores e atitudes).



  • Concepções de poder segundo:
    • Karl Marx – Poder é a capacidade de uma classe social realizar os seus interesses, os seus objetivos específicos.
    • Hanna Arendt – O poder é o oposto da violência, a violência acontece quando  se dá a perda de autoridade e de poder.
    • Maquiavel – É obrigação do governante conquistar e manter o poder, adotando quaisquer estratégias para isso.



·         “O estado e a dominação segundo Marx, Weber e Durkheim.



·         Marx entende o Estado como uma relação entre a infraestrutura (base econômica) e a superestrutura (instituições jurídicas e políticas). O Estado nasce da luta de classes.



·         O Estado é uma instituição em processo de centralização burocrática, militar e policial que oprime a sociedade e exprime o poder da classe dominante. O Estado é a forma de dominação de uma classe sobre as outras.



·         Weber define o Estado como uma comunidade humana que pretende o monopólio do uso legítimo da força física dentro de determinado território. O Estado é a única fonte do direito de uso à violência



·         Para Weber existem três tipos puros de dominação legítima:

o   Dominação tradicional – Obediência por hábito, por costumes naturais.

o   Dominação carismática – Obediência pela crença nas qualidades superiores do líder, pelo seu carisma.

o   Dominação legal – Obediência às leis aceitas por todos.

          

  • Durkheim define que o Estado deve garantir a organização moral da sociedade, e esta determina quem faz parte do Estado.


  • Existe, para Durkheim uma relação de dependência mútua entre o Estado e a sociedade, o indivíduo é produto da sociedade, mas só se torna real com a atuação do Estado.

  

Aula 3. Sociologia política.



  • Sociologia política =  É a parte da sociologia que faz a análise dos fenômenos políticos a partir de seus condicionantes sociais. Parte do pressuposto de que o comportamento social não é natural.



  • Mas, o que é política? Como fazer política?



  • Política = Esfera da sociedade em que diversos grupos lutam entre si para interferir nas decisões das autoridades administrativas.



  • Fazer política = Militância partidária, votar nas eleições, participar de sindicatos e assembleias, passeatas e protestos, abaixo-assinados; notar que se desinteressar por política também é uma forma de fazê-la, desde que seja feita de uma forma consciente, como um protesto por exemplo.

  

  • POLÍTICA É O CONFLITO DE INTERESSES.  

  • GOVERNO ------ organiza e administra --- SOCIEDADE.
  • SOCIEDADE ---- exerce influência --------- GOVERNO

 

RESUMO FILOSOFIA 3º MÉDIO (1º Trim)


Aula 1. O Criticismo de Immanuel Kant (Alemanha, 1724 – 1804)



  • Nasce e vive a vida inteira em Konigsberg, professor universitário de Lógica e de metafísica, não se casou nem teve filhos, era um homem extremamente metódico, um cérebro que passou a vida investigando o universo espiritual do homem, à procura de seus fundamentos últimos, necessários e universais.



  • Principais obras: Prolegômenos a toda metafísica futura, Fundamentação da metafísica dos costumes, Crítica da razão pura, Crítica da razão prática, A religião dentro dos limites da razão,…



  • Com sua postura crítica Kant faz uma verdadeira Revolução copernicana em filosofia, invertendo o sentido da pesquisa filosófica, o objetivo da filosofia passa a ser investigar a Razão humana, seus limites e possibilidades, buscando responder a questão: Até onde posso ir com a razão sem a experiência sensível? (a razão pura).



  • Algumas de suas principais ideias:



    • Não conhecemos a realidade fora de nossa mente ( a coisa-em-si), só conhecemos os fenômenos, ou seja as coisas para nós. Pois todo conhecimento começa com a sensibilidade, passando pelo “filtro” da razão humana.
    • Tempo e espaço são as formas puras da sensibilidade, ou seja, são ferramentas mentais que existem sem a interferência dos sentidos. A intuição de tempo e espaço se dá a priori, antes da experiência sensível.
    • Existem várias categorias do pensamento: causalidade, contradição, identidade, qualidade, quantidade, finalidade,…
    • Só é possível fazer ciência com “Juízos sintéticos a priori”, ou seja, juízos que acrescentam algo à ideia inicial antes da experiência sensível.



  • A Ilustração ou Iluminismo é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele é o próprio responsável. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu próprio entendimento sem a condução de outro.



  • O homem é o próprio culpado dessa menoridade quando sua causa reside não na falta de entendimento, mas na falta de resolução e coragem para usá-lo sem a direção dos outros.



  • Não preciso pensar, se puder pagar, outros assumirão por mim o trabalho penoso. É muito difícil para um indivíduo isolado libertar-se da sua menoridade que, para ele, se tornou quase uma natureza.

Extraído de: KANT,Imannuel. Resposta à pergunta: “O que é ilustração?”



  • Sapere aude! (Ousai saber!): Tenha a coragem de usar seu próprio entendimento!  Este é o lema do Iluminismo.



  • Kant faz um apelo ao exercício autônomo da razão, à liberdade de pensamento ante o medo, a preguiça e a covardia humana, razões pelas quais uma grande parcela da humanidade permanece dependente de seus guardiões.



  • Para Kant, é muito cômodo ser imaturo, não ser crítico, deixar que outros façam isso por você. Dessa forma, ele afirma o uso da razão e da inteligência, o espírito crítico e a autonomia no uso das suas faculdades mentais como o caminho para a emancipação do homem. 



Aula 2. O Romantismo alemão.



  • Movimento filosófico, literário e artístico que se iniciou na Alemanha ao final do século XVIII e teve seu auge em toda a Europa do século XIX. Expoentes: Fichte, Schelling e Hegel.



Principais ideias:



  • Reconhecimento do valor do sentimento como uma categoria espiritual inerente à natureza humana.



  • Ao contrário do Criticismo de Kant, que reconhece os limites da razão humana, o Romantismo entende a razão como uma força infinita que habita o mundo e o domina, a razão é a própria substância do mundo.



  • A razão é o princípio infinito da consciência, da atividade, da liberdade e da capacidade criadora.



  • As coisas finitas são manifestações do infinito, Schelling vê no mundo a obra de arte da Razão absoluta.



·        Georg W. F. Hegel (Alemanha, 1770 – 1831).



·         Formado em filosofia e teologia, preceptor e professor universitário, com o sucesso de suas ideias passa a ser o filósofo oficial do Estado prussiano e a grande referência da cultura alemã.



·         Principais obras: Fenomenologia do espírito (1807), A ciência da lógica (1812), a Enciclopédia das ciências filosóficas (1817) e textos sobre direito, história, arte e religião.



·         A visão de Napoleão Bonaparte em 1806 causou profunda impressão em Hegel: “vi o imperador, essa alma do mundo, cavalgar através da cidade, é um sentimento maravilhoso contemplar tal indivíduo que, montado a cavalo, abraça o mundo e o domina”.



·         Para Hegel, ‘aquilo que é racional é real, e aquilo que é real é racional’. Esta frase expressa a necessária, total e substancial identidade da realidade com a razão.



·         O finito se dissolve no infinito e aquilo que é, é apenas o infinito. (Tudo é Deus).



·         Essa união entre realidade e ideia eliminaria o problema da correspondência entre as ideias na mente e as coisas fora dela e daria uma solução ao problema da verdade.



·         A ciência é uma atividade dialética, a realidade é um processo dialético.



·         DIALÉTICA HEGELIANA: TESE + ANTÍTESE = SÍNTESE.



·         A dialética é a lei do desenvolvimento da realidade, é a maneira como a Razão se reconhece na realidade.



·         Da oposição entre duas ideias opostas, uma a favor e outra contrária surge uma evolução através da síntese, e assim o saber humano evolui.



·         Podemos citar como exemplo as relações históricas entre os senhores e os escravos, para Hegel esta foi uma relação social racional, necessária para a evolução econômica da humanidade.


RESUMO FILOSOFIA 2º MÉDIO (1 Trim)


Aula 1. Filosofia medieval: introdução e patrística.



  • Durante o período medieval a filosofia sofre a influência direta do pensamento religioso, cristãos, judeus e árabes muçulmanos elaboram sistemas e doutrinas que buscam explicar as relações entre os homens e Deus, Jeová ou Alá.


A filosofia cristã



  • Tem início com as epístolas de São Paulo e o evangelho de João, no século I.



  • Objetivo: Conduzir a humanidade à compreensão da verdade revelada por Cristo, buscando seu autêntico significado.

  • Divide-se em duas fases:





1. Patrística – Do século I ao século VII
2. Escolástica – Do século VIII ao século XIV



  • Patrística – Teve por finalidade organizar a doutrina cristã para garantir a unidade da comunidade de fiéis e defender o Cristianismo dos adversários pagãos.



  • Principais nomes: Justino, Orígenes, Gregório de Nisa e Santo Agostinho.



  • Grandes momentos históricos do Cristianismo


    • 313 – Edito de Milão – O imperador romano Constantino decreta liberdade de culto aos cristãos.
    • 325 – Concílio de Nicéia – Reunião para discutir a natureza do pai e do filho e a celebração da páscoa.
    • 381 – Concílio de Constantinopla I – Discussão sobre a divindade do Espírito santo.
    • 391 – Edito de Tessalônica – O imperador Teodósio decreta o Cristianismo a religião oficial do Império romano.



  • Os filósofos cristãos reconheciam nos maiores filósofos gregos os legítimos precursores do Cristianismo.





Que grande mudança ocorre na filosofia com o surgimento do Cristianismo?



    • Com o Cristianismo a filosofia deixa de ser uma busca racional pela verdade, afinal já temos em mãos a verdade revelada, cabe à filosofia apenas entendê-la.

 Aula 2. As traduções da Bíblia cristã.



  • Bíblia, palavra grega que quer dizer “os livros”, refere-se à coleção de textos religiosos de valor sagrado para o cristianismo.



  • O Antigo testamento ou bíblia judaica começou a ser escrito por vários autores a partir do século VI a.C., durante o cativeiro dos hebreus na Babilônia, foi escrito em hebraico e aramaico.



  • Por volta do século III a.C. foi feita uma tradução da bíblia judaica para o grego, tarefa encomendada a 72 sábios em Alexandria, no Egito. Esta tradução ficou conhecida como “Septuaginta”.



  • O novo testamento ou evangelho ( que em grego significa: boas novas) começou a ser escrito no século I da era cristã na antiga Palestina, então parte do Império romano. A primeira versão foi escrita em latim antigo, foi a “Vetus latina”, embora houvesse também textos em grego.



  • A primeira grande organização sistemática dos textos bíblicos ocorreu com S. Jerônimo no século IV, ele leu, analisou e meditou sobre os textos anteriores e criou a tradução latina chamada “Vulgata”, aprovada pelo Sínodo de Hipona em 393. Foi considerada a versão oficial da Bíblia católica, passou por uma revisão na década de 70 e aprovada em 1979 pelo papa João Paulo II a “Nova vulgata”.



  • O número de livros da Bíblia nas várias versões:


HEBRAICA
CATÓLICA
PROTESTANTE
ORTODOXA
Antigo Testamento
37
45
39
51
Novo Testamento
_
27
27
27
TOTAL
37
72
66
78





·         O concílio de Nicéia em 325 rejeitou os chamados evangelhos apócrifos, textos anônimos escritos nos primeiros anos do Cristianismo, não reconhecidos como inspirados e portanto fora da lista oficial de livros da Bíblia.



·         Os apócrifos mais famosos são: Evangelho de Tomé, Evangelho de Maria Madalena, Evangelho de Pedro e Evangelho de Filipe, muitos deles tem importância histórica, pois contam como surgiu o cristianismo primitivo e fatos da infância e juventude de Jesus.



·         Calcula-se que existam pelo menos 94 evangelhos apócrifos, sendo 20 atos dos apóstolos e 11 apocalipses.



Aula 3. A Patrística medieval: Santo Agostinho (Numídia, 354 – 430).



  • Aurélio Agostinho, professor de retórica em Cartago, converteu-se ao cristianismo aos 32 anos, tornando-se o bispo de Hipona e um dos maiores teólogos da Igreja Católica, suas principais obras foram: Confissões (400), Sobre a Trindade (422), A cidade de Deus (426).



  • Agostinho cristianizou a filosofia de Platão, usando suas teorias para melhor explicar os dogmas da fé católica, ele racionalizou a fé cristã.



  • O homem não tem razão para filosofar, exceto para atingir a felicidade, que é fruto da intuição e da fé. É necessário compreender para crer e crer para compreender”, ou seja, a razão está a serviço da fé.



  • Deus é a verdade, é o ser que ilumina a razão e lhe fornece a norma e a medida de todos os juízos. Esta ideia é a base da Teoria da iluminação, que diz que sempre que alguém for ler algum texto sagrado, é preciso orar sinceramente a Deus pedindo que ele derrame sobre si a luz do entendimento.



  • Questão teológica: Se Deus é o autor de tudo e também do homem, da onde vem o mal?


  • Resposta: A realidade do mal contradiz a bondade perfeita de Deus, tudo o que é, é o bem, mas as coisas e as pessoas se corrompem, perdem o seu ser, se afastam do bem. O mal é o nada, é a ausência total do bem.

  • Suas ideias foram por muito tempo a doutrina fundamental da Igreja Católica, até hoje em dia alguns setores da Igreja e algumas escolas seguem seus ensinamentos.


Aula 4. A Escolástica cristã.



  • É o período em que a Igreja Romana dominava a Europa, coroava reis, organizava as cruzadas e criava as primeiras universidades.



Universidade de Bologna (Itália) em 1088,

Universidade de Paris (França) em 1170,

Universidade de Padova (Itália) em 1222,

Univ. de Napoli (1224), Siena (1242) e Pisa (1243), todas na Itália.

Univ. de Oxford (1249) e Cambridge (1284), ambas na Inglaterra.

Universidade de Coimbra (Portugal), em 1308.



  • A origem e o desenvolvimento da Escolástica estão intimamente ligadas à atuação dos professores universitários de filosofia e de teologia, com eles ocorre a sistematização do ensino destas disciplinas. Este processo se desenvolvia com duas formas básicas de ensino:



    • Lectio – Leitura e comentário de um texto consagrado.
    • Disputatio – Debates acalorados sobre um tema específico, consistia no exame de todos os argumentos possíveis a favor e contra uma tese, eram verdadeiras disputas retóricas.



  • O princípio de autoridade era o principal critério para definir se uma tese era verdadeira ou falsa. As principais autoridades eram:
    • A Bíblia, Platão, Aristóteles, um Papa, um santo, os grandes teólogos da Igreja.




                                 * Cristãos: Abelardo, Santo Anselmo, São Tomás de Aquino,…

  • Nomes:          * Árabes: Avicena, Averróis, Al-Gazali,…

                            * Judeus: Maimônides, Bem-Levi, Ibn-Gebirol (ou Avicebron),…





  • O problema central da Escolástica era conciliar Fé e razão, buscando a compreensão plena da verdade revelada, o que levaria os homens à salvação.

Aula 5. A Escolástica: São Tomás de Aquino (Roccasecca, 1225-1274)



  • Monge dominicano, doutor em Teologia e professor na Universidade de Paris, teve uma vida inteiramente dedicada à meditação e ao estudo, autor de vasta erudição, suas principais obras foram:



  • Comentários sobre as sentenças (1253), O ente e a essência (1256), Súmula contra os gentios (1259), Questões sobre a alma (1264) e a Summa Theológica (1273).



  • Tomás via na filosofia aristotélica um alimento intelectual superior e se esforçava para adaptá-la à revelação bíblica.



  • A cristianização da filosofia aristotélica só veio a se tornar possível graças ao espírito analítico, à capacidade de ordenação metódica e à habilidade dialética de Tomás de Aquino, que ele aliava a um profundo sentimento da fé cristã.



  • Deus é o puro ato de existir, é o ser pleno, a perfeição pura, criador de tudo o que existe.



  • Segundo Aristóteles, o conhecimento humano começa com os sentidos, porém os sentidos não são suficientes para conhecer plenamente Deus, logo, é necessário demonstrar racionalmente sua existência.





·        As provas da existência de Deus (as cinco vias para Deus):





  1. A prova do movimento: Tudo o que se move é movido por outra coisa, e este por outra, e assim por diante. Mas, é impossível continuar até o infinito, logo, deve haver um primeiro motor, causa de todo o movimento, que é Deus.
  2. A prova da causa: Na série de causas das coisas, uma é causa da outra, também não podemos chegar ao infinito, logo, deve haver algo que é causa de tudo: Deus.



  1. A prova da necessidade: Todos os seres são contingentes, ou seja, não são necessários, podem ou não existir. Se nada é necessário, como explicar a existência de tudo? Logo, deve haver um ser necessário que criou tudo: Deus.



  1. A prova dos graus de perfeição: As coisas e as pessoas são mais ou menos perfeitas, há graus de perfeição nos seres, deve haver um ser que contenha em si o grau máximo de perfeição: Deus.



  1. A prova do sentido: As coisas naturais devem ter algum sentido, alguma ordem, nada existe por acaso, por acidente, logo deve haver alguma inteligência superior responsável pela ordem do mundo: Deus.






Aula 6. A Summa Theológica de Tomás de Aquino.



  • Gigantesca obra teológica, levou 8 anos para ser escrita (de 1265 à 1273). Consta de 611 questões explicadas em mais de 3.400 artigos, todos seguindo a mesma estrutura lógica. Foi considerada a maior sistematização teológico-filosófica da Idade média.



  • A obra tem a seguinte estrutura lógica:



  1. Questão segundo o senso comum.
  2. Argumentos a favor da questão.
  3. Argumentos contrários.
  4. Solução da questão.
  5. Resposta às objeções.





·         Reprodução de um artigo da 1ª parte da Summa:



  • Summa Theológica – parte I – De Deus em si mesmo.



    • Questão II – Se Deus existe.



·         Artigo I – Se a existência de Deus é evidente.

Parece que a existência de Deus é evidente. 



a) Temos alguns conhecimentos naturais, Deus é natural.

b) Ao inteligir o nome de Deus, se entende o que é Deus.

c) Se algo é verdadeiro, sua existência também o é.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (João:14,6)



Mas, em contrário: não se pode pensar o contrário do que é evidente, podemos pensar que Deus não exista, logo, não é evidente.



Solução: A frase “Deus existe” é evidente, pois o predicado se identifica com o sujeito; mas, como não sabemos exatamente o que é Deus, sua existência necessita ser demonstrada.



Resposta às objeções:

1.    Deus é a felicidade do homem, e o que naturalmente se deseja, se conhece. Mas, esta relação não é válida, pois as pessoas tem visões diferentes do que seja a felicidade.

2.    Quem ouve o nome de Deus não o identifica como o ser real, só podemos entender o significado de seu nome no intelecto. Se a existência de Deus fosse evidente, não existiriam ateus.

3.    A existência da verdade é evidente por si, mas não é evidente para nós, pois cada um pode ter a sua verdade.