domingo, 6 de agosto de 2017

Resumo Socio 2º médio - Afro-brasileiros

Aula 1. Um breve perfil da população afro-brasileira.

·         A população brasileira é miscigenada desde o período colonial, mesmo assim há o reconhecimento oficial da existência de várias raças, embora este conceito seja considerado ultrapassado e substituído pelo conceito de etnia, que envolve a origem e a cultura de cada povo.

  • Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o povo brasileiro está classificado racialmente da seguinte forma:
o   Brancos – 47,51%
o   Pardos – 43,42%
o   Pretos – 7,52%
o   Amarelos – 1,10%
o   Indígenas – 0,42%
o   Outros – 0,03%

  • Se reunirmos os pretos e os pardos, o número passa de 50% de pessoas da raça negra, no entanto, mesmo sendo maioria, eles possuem menos oportunidades na sociedade:

o   Educação: Os negros representam 38% dos que frequentam uma universidade, menos de 28% deles se formam e menos de 20% dos que se formam obtém um título de mestre ou doutor, numa pós-graduação.
o   Renda: Os negros representam apenas 16% do 1% mais rico, no oposto, os negros correspondem a 75% dos 10% mais pobres.
o   Representação social: Os negros ocupam apenas 20% da Câmara dos deputados. No Senado são apenas 7 entre 81 (8,6%). No poder judiciário, apenas 15,4% dos magistrados são negros.
o   Violência: Segundo o Mapa da violência 2015, 74% do total de pessoas assassinadas por armas de fogo no Brasil eram negras. Os negros são as principais vítimas em ações policiais.

  • É contra as diferenças estruturais entre brancos e negros que são propostas ações afirmativas – medidas institucionais, públicas ou privadas, que objetivam oferecer igualdade de oportunidades e de tratamento a qualquer grupo social discriminado.

  • No Brasil, uma das principais ações afirmativas é a reserva de cotas raciais.

Aula 2. O conceito de raça, preconceito e discriminação.

·         Ao observarmos as características físicas das pessoas, percebemos que existem muitas variações, essas variações deram origem ao conceito de raça.

·         A ideia de raça teve início com os colonizadores europeus, de pele branca, que descreviam muitas vezes de forma preconceituosa e depreciativa as diferenças físicas dos povos que encontravam em suas viagens.

·         Os europeus se baseavam nas diferenças físicas e culturais para justificar sua suposta superioridade em relação aos demais povos, principalmente da América e da África.

·         Baseando-se nas diferentes aparências das pessoas, a ciência do século XIX começou a dividir a raça humana em sub-raças: branca, negra, amarela, indígena. Logo, o conceito biológico de raça passou a ser usado para classificar as pessoas com base na sua aparência.

·         Surgiram então várias teorias que usavam o conceito de sub-raças para criar uma hierarquia entre as diferentes “raças humanas”, considerando a raça branca, europeia e cristã como superior às outras.

·         Não faz sentido classificar as pessoas assim, pois do ponto de vista biológico só existe uma raça: a raça humana.

·         Racismo é o conjunto de teorias equivocadas e distorcidas que defendem a ideia de superioridade de uma raça sobre a outra, hoje o racismo é considerado crime na maioria dos países, incluindo o Brasil.

·         Atualmente, predominam práticas disfarçadas de racismo, como o preconceito e a discriminação racial:
o   Preconceito – Desqualificação de pessoas com base em estereótipos negativos, fica no âmbito das ideias e valores.
o   Discriminação – Tratamento desigual de pessoas de outra cor ou raça, é o reflexo prático de uma ideia preconceituosa.

Aulas 3/4. Afro-brasileiros: a questão das cotas raciais e os grupos étnicos.

  • As cotas raciais são a reserva de vagas em instituições públicas ou privadas para grupos específicos classificados por etnia, na maioria das vezes, negros e indígenas. Surgidas na Índia na década de 1930, as cotas raciais são consideradas, pelo conceito original, uma forma de ação afirmativa, algo para reverter o racismo histórico contra determinadas classes étnico/raciais.
  
  • A primeira lei de cotas é referente à educação e leva em conta tanto a cor quanto a condição social do aluno. A lei nº 12,711/2012 sancionada pela presidente Dilma Roussef, beneficia negros e indígenas. Estabelece que todas as universidades federais devem reservar 50% de suas vagas para estudantes que tenham cursado o Ensino médio em escolas públicas, as vagas destinadas a negros e indígenas obedecem o percentual desses grupos em cada estado.

  • Em 2014, foi sancionada a lei 12,990/2014 que reserva cotas de 20% para negros nas vagas de concursos públicos para cargos da administração federal e de empresas publicas.

  • O critério para definição da raça é a auto declaração do candidato.

  • Apesar de muitos considerarem as cotas como um sistema de inclusão social, existem controvérsias quanto às suas consequências e constitucionalidade em muitos países.

  • Argumentos a favor das cotas raciais:
o   Corrigir a dívida histórica por séculos de exploração.
o   Minimizar as diferenças raciais e socioeconômicas que sempre existiram no Brasil
o   O abismo existente entre escolas públicas e particulares fornecem, claramente, oportunidades distintas a estudantes de classes sociais diferentes.
o   Os cotistas não ganham as vagas de graça, mas tem que disputa-las, ou seja, só os melhores alunos conseguem as vagas.

  • Argumentos contrários às cotas raciais:
o   A pessoa não pode ter privilégios por causa de sua ancestralidade.
o   Não podemos responsabilizar os brancos de hoje pelo que os brancos do passado fizeram.
o   Um país é justo quando qualquer um, não importando a cor ou a origem, possa perseguir seus sonhos através do fruto de seu trabalho.
o   Se só existe a raça humana, por que o governo promove a identificação racial de seus cidadãos?

  • O racismo existente na sociedade brasileira se processa em diversos níveis: cultural, econômico, político e até moral.

  •  Grupo étnico é compreendido como uma coletividade que partilha valores, costumes e uma memória comum, que nutre uma crença subjetiva numa origem, imprescindível para a definição da “comunidade de sentido”, existindo ou não laços de sangue.

  • Deve-se ter em conta que as singularidades da cada etnia não são fixas, são convenções sociais que podem mudar de acordo com a situação e o momento histórico vivido.   

Aula 5. As gerações modernas.

·        Geração – Pessoas nascidas aproximadamente na mesma época e que compartilham experiências de vida, históricas e culturais comuns, costuma ter as mesmas referências sociais. 

·        Cada geração forma uma unidade, possuindo mentalidade, representações, crenças e atitudes semelhantes, pertencer a uma geração é algo sociológico, não biológico.

·         A partir da segunda guerra mundial as novas gerações foram recebendo denominações específicas de acordo com suas características, as divisões se referem à década de nascimento, as crianças nascidas em:

o   (1950/1960) – Os Baby-boomers, a geração da TV – Este termo é usado como referência aos filhos do “baby boom”, explosão demográfica pós-segunda guerra, que ocorreu na América do norte, Austrália e Europa ocidental. A ascensão da televisão moldou o comportamento desses jovens, desenvolveram sua própria cultura, criaram seu estilo próprio, é a era do jazz e do rock and roll. Surgem os ideais de liberdade, feminismo, os hippies, os pacifistas e revolucionários que queriam mudar o mundo.
Fatos – Início da guerra fria, guerra da Coréia, revolução cubana; no Brasil, o suicídio de Vargas, a Petrobrás, construção de Brasília.

o   (1960/1970) A Geração X, a geração da guerra fria – Esta geração é conhecida por romper com os hábitos das gerações anteriores, valorizando a sexualidade, a individualidade e a liberdade, descrentes da política e preocupados com o meio ambiente, surgem os Beatles, os Rolling Stones, Pink Floyd, disco music. No Brasil, a era dos festivais de MPB e do tropicalismo.
Fatos – Crise dos mísseis, guerras no Oriente médio, movimentos estudantis, guerra do Vietnã; no Brasil, regime militar, AI-5, festivais de música.

o   (1980/1990) – A Geração Y, a geração digital – Esta geração acompanhou a revolução tecnológica desde pequenos, computador, internet, celular. É uma geração mais crítica e mais independente, não aceitam explicações simples e óbvias, são questionadores, multitarefas, imediatistas e empreendedores. Estão sempre conectados em busca de informações. Música pop (Michael Jackson, Madonna), heavy metal e grunge, no Brasil, o pagode, o axé, o rap e o hip-hop.
Fatos Guerra Irã-Iraque, queda do muro de Berlim, fim da União soviética, da guerra fria e do apartheid, início da globalização. No Brasil, Diretas já, redemocratização, Collor, Plano Real.

o   (2000/2010) – A Geração Z, a geração virtual – É uma geração eternamente conectada através de dispositivos móveis e preocupada com a ecologia e o respeito ao meio ambiente, A noção de grupo passa a ser virtual, eles não se prendem a nenhum lugar, não são fiéis a marcas e são grandes consumidores de Aplicativos para celulares e tablets, surge a cidadania digital. Música eletrônica e raves, multiplicação de estilos,
Fatos – Atentado terrorista às torres gêmeas, crise econômica, o crescimento da China, fundamentalismo islâmico; no Brasil, governo Lula, aumento da corrupção, movimentos populares, pré-sal.


·         Esta classificação não é absoluta e nem exatamente demarcada, pois jovens de uma geração podem manter comportamentos da anterior, com a multiplicidade cultural, vemos pessoas de várias gerações coexistindo, nem sempre de forma harmônica, gerando alguns “conflitos de gerações”, alguns especialistas nomeiam as crianças nascidas a partir de 2010 como uma nova geração: a geração Alfa, ainda a ser estudada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário